2015: o ano do mobile. De novo…

24 agosto 2015

2015: o ano do mobile. De novo…

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Você já ouviu que esse ano é o “ano do mobile”? Na verdade, eu poderia ter te feito essa pergunta a qualquer momento desde 2006 ou 2007, e sua resposta seria a mesma: “Claro! Agora o mobile decola!”. Mas por que as pessoas ainda acreditam nisso? Porque é verdade.

Na última década se ouviu falar muito em como o mobile estaria deixando de ser a famosa “segunda tela” para passar a ser a tela principal dos usuários. A cada lançamento de um novo modelo do iPhone (e foram 10 até agora!) nós fomos obrigados a ouvir uma nova teoria de como o mobile seria a nova ferramenta de anúncios, receitas e seria o grande game changer do mercado. A constatação que temos hoje é que, na verdade, em momento nenhum ele foi isso. O mobile foi sim, aos poucos, se tornando uma plataforma importante e que hoje compete diretamente com o desktop.

É bom lembrar que os telefones celulares têm apenas 25 anos, sendo lançados no mercado mundial pela primeira vez em 1990. Já o primeiro SMS de pessoa para pessoa só foi ser enviado 4 anos depois, e a primeira publicidade mobile foi em 1997, com uma rede de notícias finlandesa oferecendo manchetes gratuitas via SMS. A publicidade mobile, digamos, como a conhecemos hoje, só foi começar a tomar forma em 2006, com a criação da Admob (comprada pelo Google alguns anos depois) e da Millenial Media. Com o advento de sistemas operacionais avançados (lê-se iOS e Android), aliado ao início dos mobile ads, começamos a ver os eternos “anos do mobile”.

De lá pra cá, foi quase uma década de apostas, promessas e decepções. Digo decepções porque, até agora, o mobile não tinha honrado de fato o seu título de revolucionário. Porém, em 2015 ele finalmente ultrapassou o desktop em número de acessos à internet. E por isso repito: provavelmente esse é, finalmente, o ano do mobile, ou pelo menos o começo de uma nova era de fato.

Mas não se engane: não digo isso porque sua publicidade vai finalmente gerar mais receita, seus anúncios serão totalmente direcionados e customizados ou porque finalmente superamos as dificuldades técnicas que dizem respeito ao tamanho de tela e baixas velocidades de conexão. Digo porque, pela primeira vez, as pessoas têm conteúdo relevante exclusivamente no mobile e estão trocando o bom e velho notebook pelo bom e moderno celular e tablet.

Discordo apenas em uma coisa de toda essa euforia de 2015 com o mobile: ele não é a nossa primeira tela, mas sim o dispositivo que unificou todas as telas. Podemos agora ter o mesmo conteúdo em várias telas. Diversos aplicativos e programas nos possibilitam isso, como Netflix, Spotify e até mesmo o fato de podermos simplesmente transmitir a tela do celular para uma SmartTV. A navegação e as interações na internet não são mais fragmentadas, pelo contrário, elas caminham cada dia mais para a convergência. Mas isso já era possível, de uma certa maneira, antes do celular.

Há muito tempo existem cabos que ligam computadores em TVs, mas só com o mobile começou-se a pensar não em transmitir conteúdo, mas em mantê-lo sempre ativo. As conexões sem fio contribuíram muito para esse cenário, pois hoje é possível utilizar todos os aparelhos, móveis e fixos, em uma única rede wi-fi, conectando e compartilhando a mesma tela, como extensões umas das outras, em tempo real.

Mas não é só o desenvolvimento tecnológico que incentivou a plataforma mobile nos últimos tempos. A utilização tem sido tão grande que até o Google refez seu algoritmo para privilegiar sites que são mobile friendly e o Facebook anunciou que já é uma plataforma mobile first. Mas por que, só no oitavo ou nono “ano do mobile”, o mercado realmente acordou para essa plataforma. A resposta não está no mobile, mas sim no desktop, e ela se chama Cookies.

Durante muito tempo, mesmo apesar do forte crescimento mobile, anunciantes eram relutantes em investir na plataforma móvel, isso porque no desktop era muito mais fácil identificar um usuário, e customizar e direcionar a comunicação para cada um deles. Tudo isso graças aos cookies, que não funcionam bem em mobile.

Então, por anos, não houve um investimento de fato nesse segmento, enquanto ele crescia em usuários, tempo gasto e até mesmo em maneiras de se anunciar. Essa era a verdadeira decepção: ver o mobile crescendo tanto e tão pouca gente vendo seu potencial. Mas agora já temos diversas plataformas que possibilitam uma segmentação tão precisa quanto a do desktop, o que torna praticamente impossível ignorar o mobile e direciona uma grande parcela da verba (finalmente!) para ele.

Com as novas tecnologias, por exemplo, de “cross-device tracking”, ou seja, o rastreamento do usuário pelos diversos dispositivos que ele usa, e com outras tecnologias como geolocalização, já é possível criar uma campanha que é tão ou mais assertiva quanto uma de desktop. Acredite em mim: não há mais desculpas para não investir em mobile.

Não creio, contanto, que 2015 seja de fato o ano do mobile, simplesmente porque penso que não haverá um “ano” do mobile, mas sim um período, uma “era de ouro” para a plataforma. As coisas nunca mudaram da noite pro dia, nem de um ano pro outro, em nenhum aspecto do digital. No futuro, vejo o mobile continuando seu desenvolvendo aos poucos, exatamente como tem sido até agora, ficando cada vez mais robusto e completo. Ainda temos um longo caminho para percorrer, mas pode apostar que não só o futuro, mas o próprio presente do mobile também é promissor!

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