21 março 2017

O Youtube TV vem aí. O que isso significa para a publicidade digital?

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Os sistemas tradicionais de TV aberta, TV paga e VoD (video on demand) têm sido abalados nos últimos anos pelo modelo de negócios OTT (sigla de Over-the-top content, expressão usada para serviços de transmissão de vídeo e áudio pela internet, que não utilizam operadoras de TV a cabo ou por satélites). Os exemplos mais óbvios são os serviços por streaming, como Netflix e Amazon Prime Video, que permitem assistir filmes e séries. Mas um novo sistema surge. Recentemente, o Youtube anunciou o lançamento de um serviço de TV e vídeos por assinatura, o Youtube TV.

O Youtube TV funcionará por meio de um aplicativo, e o usuário poderá assistir o conteúdo na hora que quiser. Para isso, o serviço terá um recurso que permite que todo conteúdo transmitido seja gravado. Várias operadoras de TV a cabo já contam com uma opção semelhante, mas no Youtube TV essa operação poderá ser feita pelo celular, sem a necessidade do uso de um televisor.

Anúncios mais assertivos. Ou não.

Segundo anunciou Susan Wojcicki, diretora executiva da plataforma da Google, no lançamento do serviço, “o YouTube TV foi criado especificamente para as necessidades de uma nova geração de fãs de TV, que desejam assistir ao que quiserem, quando quiserem, como quiserem, sem compromisso”. Resta saber, no entanto, se essa “nova geração” estará sujeita a anúncios – e que tipo de anúncios serão estes. Os canais de TV transmitirão sua publicidade usual pelo Youtube TV? E, neste caso, haverá interesse do usuário em pagar uma mensalidade?

A princípio, a resposta pode ser bem mais simples do que parece. Com a quantidade de dados que o Google possui virtualmente sobre todos os internautas, os usuários do Youtube TV provavelmente irão receber publicidade extremamente personalizada, com base nos gostos, preferências e padrão de consumo de cada um. Estamos na era da jornada do consumidor dirigida por dados, e serviços de entretenimento não fogem à regra.

Caso o Youtube TV realmente tenha anúncios, é bastante duvidoso que alguém deixe de assinar o serviço em razão da existência desses anúncios. Afinal, a TV a cabo é paga e conta com enorme volume de publicidade. O que irá impedir o Google de usar do mesmo expediente para monetizar o serviço?

Também é importante lembrar que os vultosos custos que as operadoras de TV a cabo têm com infraestrutura são diluídos na conta de seus assinantes. O Youtube TV, por ser uma OTT, usará a infraestrutura das próprias operadoras de telecomunicações. Isso significa que irá concorrer com a TV paga “convencional” sem ter que realizar praticamente investimento nenhum nessa área. O Netflix, por operar do mesmo modo, vem sofrendo pressão em vários países. Na França, a reação do serviço foi buscar parcerias com operadoras para disponibilizar seu conteúdo para os assinantes de TV paga. Já no Brasil, o governo federal busca aumentar a quantidade de impostos sobre o Netflix e outras OTTs, como o sistema de música por streaming Spotify, o que, teoricamente, ajudaria as provedoras de TV a cabo, que veem diminuir, dramaticamente, o número de seus clientes.

Publicado originalmente no Proxxima

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