Texto produzido com exclusividade para o RH Pra Você, clique aqui para ver a publicação original.

Os profissionais de RH por muito tempo foram meus maiores inimigos…

No meu primeiro contato com o P&N, um dos primeiros pensamentos que me ocorreu foi recordar das experiências amargas que já tive com profissionais de RH na minha trajetória profissional.

Antes de explicar melhor os porquês, deixa eu me apresentar e contar um pouco da minha história. Ainda que eu esteja há seis anos à frente das operações da IgnitionOne na América Latina, minha vida profissional teve início no mundo da música. Quando eu tinha 10 anos de idade, meu sonho era ouvir a música da minha banda de rock no rádio. Aos 15, eu já estava gravando profissionalmente nos estúdios da Polygram, no Rio de Janeiro. E aos 17, eu fazia parte finalmente de uma das bandas de rock mais conhecidas do país. Daí em diante, vivi todos os clichês que o Rock n’ Roll pode oferecer: fama, assédio de fãs, casa na praia e um lindo BMW esperando por mim na garagem.

Nesse momento você deve estar se perguntando, como eu, tão inserido no mundo do entretenimento, fui parar no mundo insano da indústria digital? Em 1996, a Internet estava chegando no Brasil. Nós tínhamos um grupo de amigos que se reuniam toda semana para pensar sobre como a Internet iria mudar o mundo. A ideia de poder vivenciar de perto e mesmo ser um agente ativo dessa transformação, me fascinou completamente, e junto com dois amigos, decidi fundar minha primeira agencia nessa nova indústria digital – que realmente, veio a mudar totalmente o mundo nos anos seguintes…

Porém, essa passagem da música para o digital, não foi muito fácil para mim. O mundo corporativo naquela época, ainda era muito tradicional. Meu perfil era visto com muita desconfiança pelos profissionais de RH quando eu participava de algum processo para posições nessa indústria. Eles diziam “Você é músico, não um gestor”. “Você não estudou administração”. “Artistas não sabem nada sobre dinheiro ou negócios”. Essas opiniões me deixaram bastante inseguro durante minha trajetória profissional no digital. Naquela época, as qualidades que eu tinha desenvolvido durante minha vida como músico – instinto acentuado, o pensar fora da caixa, a criatividade – não eram tão valorizados como ter uma formação tradicional e um diploma de administração. Em alguns momentos eu mesmo questionei os motivos de estar ali: teria eu algo a oferecer àquela indústria? Teria a música alguma relação com o mundo dos negócios?

Porém… as novas empresas que surgiram – os Googles e Facebooks da vida – foram criadas exatamente por pessoas que pensavam fora da caixa, com uma bela dose de inspiração, com um instinto bem afiado e uma criatividade enorme. Essas empresas, transformaram o mundo corporativo, trazendo uma visão que valorizava as qualidades que a minha carreira na música havia me proporcionado de sobra. O mundo havia mudado. Não eu, eu era o mesmo cara, com uma formação musical, dirigindo empresas de forma criativa e diferente.

Escrever uma canção e gerir uma empresa tem mais em comum do que você pode imaginar. Numa indústria disruptiva e volátil, que muda há cada seis meses, números e estatísticas não vão te apontar a direção. Você precisa estar conectado com seu instinto para isso. Você precisa estar conectado com sua criatividade. Assim como precisamos dessa conexão para compor uma música. Tanto faz se estamos dirigindo grandes empresas como a Apple ou compondo grandes canções como Let it be, dos Beatles. Hoje, cada vez mais, precisamos desenvolver, ou melhor dizendo, precisamos nos lembrar, de como usar nosso instinto e criatividade no mundo.

Segundo John Chambers, CEO da Cisco por 20 anos, 40% das grandes empresas que conhecemos hoje vão acabar nos próximos 10 anos. O motivo? Para ele, corporações acomodadas e sem inovação devem desaparecer e dar espaço a empresas alinhadas com o inovador mindset que vemos surgir.

Hoje, fico feliz por não ter mais o RH como inimigo, mas como aliado. Algumas décadas depois, comecei a ser reconhecido pela minha maneira diferente de gestão e aquelas mesmas empresas que outrora me rejeitaram, agora me procuram. “Você tem soluções muito diferentes”, “Você pensa fora da caixa”, me dizem hoje… É claramente um sinal de que as profecias de Chambers devem concretizar-se.

Um claro sinal de que, assim como eu, o mundo corporativo precisou reinventar-se e readequar-se às novas tendências. E a gente só consegue se adaptar, se somos flexíveis, com o espírito livre e conectados com a música da vida. Como já dizia Bruce Lee, “Be water, my friend!”

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